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A INTERNET DAS COISAS E A REVOLUÇÃO DO RISCO

A INTERNET DAS COISAS E A REVOLUÇÃO DO RISCO

A indústria de seguros não é particularmente conhecida pela rápida adoção de novas tecnologias. Segundo levantamento da IBM, publicado em 2015, apenas 23% dos líderes da indústria demonstram ímpeto claro pela inovação, e apenas 19% têm uma estrutura ou um departamento dedicado ao assunto.

Mudar essa realidade tem sido o desafio de grandes corretoras e seguradoras, que vêm investindo para aproveitar melhor as possibilidades dos novos formatos de interação com o cliente, oferecendo canais digitais, aplicativos, novas plataformas e cada vez mais flexibilidade no relacionamento.

No entanto, um grupo de tecnologias, conhecido por Internet das Coisas (IoT), deve aumentar a exigência por inovação ao desafiar a estabilidade de um dos pilares do mercado: a avaliação de risco.

As soluções IoT estarão presentes nas empresas, nas casas e na rotina dos clientes, e permitem coletar informações continuamente sobre comportamentos individualizados, possibilitando a criação de mapas interativos de risco, correlações inéditas e análises mais precisas.

Avaliações de riscos mediante coleta de dados de clientes são amplamente utilizadas por companhias notoriamente inovadoras, como Google e Netflix, mas também já estão sendo utilizadas por algumas seguradoras em iniciativas diversas.

Uma seguradora nos Estados Unidos, por exemplo, criou um programa de benefícios e descontos para os clientes baseado na FitBit, uma pulseira que coleta dados biométricos dos usuários e estimula hábitos saudáveis. Outra seguradora americana está oferecendo descontos no seguro residencial aos clientes que adotarem os Sensores Inteligentes Nest, que ajudam a evitar incêndios e outras ocorrências na casa. Já uma terceira seguradora construiu uma casa inteligente para entender como os diversos equipamentos disponíveis podem reduzir os riscos no seguro residencial.

Mas isso é apenas a ponta do iceberg. Sensores ambientais, biométricos, tecnologias vestíveis, aplicações geoespaciais, e máquinas inteligentes e interconectadas prometem trazer cada vez mais transparência à análise de riscos e criar novos modelos de negócio, especialmente no que se refere à precificação e ao controle de riscos.

Segundo levantamento da CB Insights, o investimento em startups de tecnologia para indústria de seguros triplicou em 2015, atingindo 2,6 bilhões de dólares.  

E parte desse financiamento parece estar vindo da própria indústria. Apenas em 2016, segundo a Accenture, foram realizados 55 negócios entre grandes seguradoras e startups, em áreas como inteligência artificial e IoT.

Basta um olhar rápido para esse cenário para entender que a tradicional avaliação de risco deverá passar por uma grande revolução, empoderada pela disponibilidade de uma gigantesca quantidade de dados, coletados e analisados numa velocidade cada vez maior. E ter a certeza de que o futuro do mercado de seguros pertencerá às companhias que conseguirem melhor aproveitar as sinergias e as possibilidades desse novo contexto tecnológico.