GUSTAVO QUINTÃO: MÉDICO DE FAMÍLIA PODE SIGNIFICAR ATENDIMENTO MAIS PERSONALIZADO E CUSTOS OTIMIZADOS.

GUSTAVO QUINTÃO: MÉDICO DE FAMÍLIA PODE SIGNIFICAR ATENDIMENTO MAIS PERSONALIZADO E CUSTOS OTIMIZADOS.

GUSTAVO QUINTÃO: MÉDICO DE FAMÍLIA PODE SIGNIFICAR ATENDIMENTO MAIS PERSONALIZADO E CUSTOS OTIMIZADOS.

A Medicina da Família, funcionando de forma integrada com a rede de especialistas, é uma grande tendência para a saúde nos próximos anos.

O médico de família não é nenhuma novidade (a especialidade existe no Brasil há mais de 30 anos), mas perdeu espaço diante da valorização dos médicos especialistas em prol dos generalistas nos últimos anos.

Essa preferência por especialistas já na primeira consulta, no entanto, hoje mostra suas grandes desvantagens: o crescimento dos custos da saúde, o excesso de exames desnecessários, a falta de visão global da saúde e, principalmente, a perda do vínculo médico-paciente.

“A barreira para esse modelo no Brasil é, acima de tudo, cultural. O paciente prefere fazer a primeira consulta com o médico especialista por acreditar que esse profissional tem mais condições de resolver o seu problema. No entanto, as pesquisas de países que adotam o modelo mostram que o Médico de Família consegue resolver mais de 80% dos casos, e quando precisa remeter a um especialista o faz de maneira mais informada, considerando histórico do paciente e a necessidade real. Evita-se, portanto, que o paciente vá de especialista em especialista e faça inúmeros exames desnecessários por não saber a causa de sua condição”, diz Gustavo Quintão, Diretor Executivo de Benefícios na MDS Insure Brasil.

O conceito de Médico de Família já é bastante difundido em países como Inglaterra e Canadá, e costuma ter altos índices de satisfação, além de permitir que a saúde seja tratada de modo proativo, uma vez que o médico acompanha o paciente ao longo dos anos.  

Do ponto de vista do paciente, um benefício imediato é o resgate do vínculo com o médico, que permite focar na saúde do paciente de modo global e não apenas no problema presente, considerando sempre o histórico familiar e os hábitos de vida.

Outro benefício potencial é a maior disponibilidade do atendimento, uma vez que o médico de família tende a conseguir acomodar consultas de seus pacientes na agenda, evitando o uso de pronto-socorro.

Sistemicamente, os impactos podem ser ainda mais positivos. Isso porque o conceito, se bem aplicado, pode significar uma otimização dos custos por meio do uso inteligente da rede de especialistas e da redução significativa de exames desnecessários, além da redução da lotação nos prontos-socorros dos hospitais.

Embora o conceito ainda esteja muito associado à saúde pública no Brasil, a difusão do Médico de Família na rede privada pode abrir espaço, inclusive, para serviços de altíssimo nível.

Nos EUA, por exemplo, alguns planos já começam a ofertar um serviço premium, chamado de Médico Concierge, onde o médico generalista fica à disposição do paciente em horários alternativos e até o acompanha em exames e consultas com especialistas.

A estruturação de um sistema baseado em Médicos de Família ainda está em fase inicial no Brasil e há certamente algumas barreiras importantes a serem ultrapassadas. Mas as primeiras experiências na rede privada têm se mostrado promissoras e, se bem-sucedido, o modelo pode representar uma rara oportunidade de aliar atendimento mais personalizado com qualidade e otimização de custos.