Blog : Benefícios Corporativos

Entra em vigor o novo Rol de cobertura dos planos de saúde

Entra em vigor o novo Rol de cobertura dos planos de saúde

A ANS, Agência Nacional de Saúde Suplementar, responsável pela regulação dos planos de saúde no Brasil, anunciou que entrou em vigor a partir de 02/01/2018 a nova cobertura mínima obrigatória para as operadoras de saúde.

Atualizada a cada dois anos pela ANS, a lista de cobertura mínima é obrigatória para todos os planos de saúde contratados a partir da entrada em vigor da Lei nº 9.656/98. Chamada de Rol de Eventos e Procedimentos em Saúde, esta lista conta agora com a inclusão de 18 novos procedimentos – entre exames, terapias e cirurgias, sendo 12 eventos ambulatoriais e 06 hospitalares, além da ampliação de coberturas já existentes com alterações da DUT (Diretriz de Utilização).

Entre as principais incorporações, estão 8 medicamentos orais para tratamento de câncer, exame PET – CT para diagnóstico de tumores neuroendócrinos, além de medicamento imunológico para tratamento de esclerose múltipla e a Terapia imunoprofilática com Palivizumabe para o vírus sincicial respiratório – VSR para prematuros e crianças (com DUT). Confira a lista completa em: http://www.ans.gov.br/images/Lista_Incorpora%C3%A7%C3%A3o_Final.pdf.

Segundo a ANS, “os procedimentos incorporados são aqueles nos quais os ganhos coletivos e os resultados clínicos são mais relevantes para os pacientes. Todavia, a inclusão de tecnologias é sempre precedida de avaliação criteriosa, alinhada com a política nacional de saúde, e contempla, além das evidências científicas, a necessidade social e a disponibilidade de recursos. A decisão pela inclusão também leva em consideração a prevalência de doenças na população.”

Sobre o impacto financeiro esperado com estas novas coberturas, a FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar) apresentou em agosto/17 um estudo com a análise de 16 tecnologias propostas que ainda estavam em análise na ocasião. O resultado mostrou que, caso incluídas os 16 eventos analisados, o custo adicional poderia ser de R$ 5,4 bilhões, o equivalente a aproximadamente 4% do total das despesas assistenciais em 2016.

O critério para seleção deste estudo foi a disponibilidade de informações sobre a prevalência das doenças, considerando as indicações propostas pela ANS para o uso destas novas tecnologias. As projeções apresentadas limitaram-se a estimar os custos, de forma pontual, por um período de 12 meses projetados em 2016, considerando a despesa assistencial e a quantidade de beneficiários dos planos médicos no período.

De uma forma simplificada, o impacto financeiro foi calculado por meio de um modelo estático, no qual o custo do tratamento de uma determinada doença consiste na multiplicação do número de indivíduos elegíveis ao tratamento pelo custo do tratamento. Vale a ressalva de que os custos agregados como custos hospitalares, insumos e taxas de equipamentos não foram contemplados nos cálculos em razão de dificuldade de se obter essas informações.

Este estudo, entretanto, precedeu a publicação oficial das inclusões, que ocorreu em novembro/2017 e não correspondeu a 100% das novas coberturas incorporadas. Portanto, o impacto de 4% calculado pela FenaSaúde está subestimado.

Com a incorporação de novas técnicas a procedimentos já cobertos, como por exemplo: a cirurgia laparoscópica para restaurar o suporte pélvico, há possibilidade de haver inclusive redução de custos, pelo menor tempo previsto de internação.

Mesmo com dados estatísticos de prevalência de patologias disponíveis, fica difícil prever com assertividade o impacto financeiro das novas incorporações.  É necessário aguardar o comportamento do setor de saúde na adaptação dos novos recursos. A MDS preocupa-se em manter seus Clientes informados, sempre atenta às tendências e aos impactos nos planos de Saúde.

 

Plano de previdência privada é atrativo para colaboradores e empresas

Plano de previdência privada é atrativo para colaboradores e empresas

A previdência tem sido um dos assuntos de maior destaque nos últimos tempos por conta das discussões sobre alterações relacionadas ao tema na esfera pública, visando principalmente uma aposentadoria tranquila, ou seja, o seu objetivo a longo prazo. Consequentemente, a previdência privada também entrou em evidência, seja por parte das pessoas que procuram fontes complementares de garantia de renda futura, seja  pelas  empresas que buscam oferecer esse benefício como atrativo aos seus funcionários, gerando valor para eles e seus colaboradores.

Facilidades para funcionários e empresas

Para os trabalhadores, a previdência privada é uma excelente maneira de proteção  complementar para quem procura independência financeira a longo prazo e não depender das decisões do governo.

Para a empresa,  acrescentar esse produto em sua cesta de benefícios demonstra preocupação com o futuro do colaborador. Na maioria dos casos,  as contribuições do trabalhador para adquirir um plano de previdência privada pela empresa não passa de 6% da remuneração, ou também existem formatos de contribuição fixa (um mesmo valor todo mês). A forma de contribuição, dependerá  da forma contratada e escolhida pela empresa Além do modelo de contribuição definida (valor fixo de contribuição e determinação do valor de benefício no momento da aposentadoria), existe o modelo de benefício definido. Nele, o valor da aposentadoria é fixo e as contribuições são variáveis para que o montante seja atingido no momento de se aposentar. Há ainda o programa de contribuição variável, uma mistura das duas modalidades anteriores.

Previdência privada aberta e fechada

As empresas podem optar por oferecer o benefício de duas formas: previdência privada aberta ou fechada. No modelo de previdência aberta, encontramos os planos que- ofertados pelas entidades de Previdência complementar aberta, podendo ser estipulados por pessoas físicas ou empresas.

Já no modelo de previdência fechada (também chamada de Fundos de Pensão) consiste em  planos desenhados especificamente para cada empresa, contendo regras, normas e legislações diferenciadas, sendo que somente podem ser ofertados para aqueles vinculados a Patrocinadora do contrato,  modelo conta com um órgão regulador das atividades para que tanto a empresa quanto os funcionários não sofram com fraudes de nenhuma natureza.

Seguro de Vida: quem tem direito e como proceder para receber a indenização

Seguro de Vida: quem tem direito e como proceder para receber a indenização

O Seguro de Vida está entre as modalidades de cobertura mais conhecidas do mercado, e, no Brasil, costuma ser oferecido como benefício das empresas contratantes para seus funcionários. Porém, mesmo que o interessado não tenha nenhum vínculo empregatício, ele pode buscar  a contratação deste seguro por conta própria, a fim de garantir seu bem-estar e a manutenção de seu padrão de vida, de sua família e demais dependentes em caso de invalidez, doença grave ou mesmo morte.

Na maioria dos casos, o próprio segurado costuma indicar quem serão as pessoas beneficiárias do seguro que contratou de forma independente. Se não indicar ninguém para receber a indenização em caso de sinistro, aplica-se o artigo 792 do Código Civil, prevendo a divisão do valor total em 50% para o cônjuge legal e outros 50% para os herdeiros legais.

Na ausência de herdeiros ou cônjuge, serão beneficiados com a indenização aqueles que provarem que o falecido (ou inválido) era a fonte de renda e dos demais meios de subsistência. Importante: caso o segurado seja separado e queira  indicar o cônjuge atual, deve ser separado judicialmente ou de fato (conforme Art. 793 – Código Civil 2002).

Um questionamento comum, principalmente para os segurados que são herdeiros legais, é se a indenização faz parte da herança. A resposta é: não. O montante da indenização (capital segurado) também não está sujeito a possíveis dívidas (artigo 794 do Código Civil) e nem existe incidência de imposto de renda sobre o valor (Lei 7.713/88, – Decreto 3.000/99), ou seja, o valor da indenização é algo mais tangível e seguro para os beneficiários, já que permite a preservação do padrão de vida.

Outro detalhe importante: só terá direito a receber a indenização os beneficiários que tiverem em mãos todos os documentos necessários, a serem entregues dentro do prazo estipulado previamente. Essas e outras informações sobre o seguro de vida são descritas na apólice de seguro. Nos casos de contratos de Vida em grupo, você as encontrará no certificado do seguro, documento primordial para dar início ao processo de recebimento dos valores junto à seguradora ou banco em que o mesmo foi contratado.

Para abertura do aviso de sinistro, os documentos comuns a serem encaminhados são:

  • formulário de abertura de sinistro da seguradora devidamente preenchido
  • atestado de óbito ou laudo
  • certidão de nascimento do segurado
  • documentos originais de identidade
  • CPF
  • comprovante de residência

Com os documentos entregues, a seguradora tem 30 dias para realizar o pagamento. A seguradora pode solicitar documentos faltantes ou esclarecimentos adicionais, e até a entrega dos mesmos o prazo para pagamento de sinistro fica suspenso. Após cumpridos todos os requisitos, o valor da indenização será atualizado de acordo com a correção monetária, se houver atraso.

Carro corporativo é solução, mas é preciso levar a segurança em conta

Carro corporativo é solução, mas é preciso levar a segurança em conta

Comprar carros para os funcionários de sua empresa pode ser bastante vantajoso, pois muitas montadoras contam com programas de descontos utilizando o número do CNPJ. Este também é um atrativo às companhias que oferecem o benefício, caso a ideia seja fazer uma proposta de trabalho a um profissional reconhecido no mercado. Com certeza, essa regalia fará toda a diferença na negociação – podendo ser um dos principais motivos para a aceitação da proposta. Porém, para que a gestão seja efetiva, é necessário pesquisar bem como realizar essa ação, pois tudo depende da marca, modelo e quantidade de automóveis comprados.

Lista de modelos mais visados em roubos e furtos de veículos

Ainda na fase da pesquisa (uma das mais importantes), é fundamental prestar atenção em quais são os carros mais visados em roubos. No primeiro semestre deste ano foram registrados mais de 101,4 mil casos de roubos e furtos de automóveis no estado de São Paulo, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública.

Entre os cinco modelos mais roubados e furtados estão, em ordem crescente, o Toyota Etios (2,911), o Chevrolet Onix (2,717), o Hyundai HB20 (2,468), o Fiat Punto (2,193) e o Fiat Weekend (2,130). O levantamento, divulgado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), mostrou o Índice de Veículos Roubados (IVR) determinado a partir da divisão entre o número de ocorrências (roubos e furtos) e o total de unidades seguradas do modelo.

Estilo e questões de segurança

Outra questão é o estilo dos veículos que comportam a demanda e cumpram as necessidades da empresa e dos funcionários que irão utilizá-los. Por exemplo: se a companhia costuma conceder o carro a um único dono, vale verificar questões de segurança em detrimento de outros quesitos, como espaços internos. Se o carro será utilizado por um motorista da empresa para conduzir os funcionários durante o horário de trabalho, os mais indicados são os modelos mais espaçosos e econômicos. Com a pesquisa bem-feita, o recurso do automóvel se torna um importante aliado.

Além de prestar atenção nas características do veículo, é preciso ficar atento à proteção do bem e à segurança do colaborador por meio de um seguro. Para evitar gastos e imprevistos, a empresa tem duas alternativas. A primeira é fazer o seguro individual com condições muito semelhantes à apólice comum de automóvel. Outra opção é o seguro de frotas, com diversas vantagens por englobar um número maior de veículos. Entre os benefícios estão o desconto no preço, uma cobertura maior e um atendimento diferenciado. Lembrando também da necessidade de incluir no seguro dos automóveis a cobertura de Responsabilidade civil, que protegerá a empresa em caso de alguma ação judicial decorrente de sinistros com o veículo.

Ana Mota: Uma visão feminina dos seguros

Ana Mota: Uma visão feminina dos seguros

De olhos postos no céu 

A paixão pela astronomia e o sonho de trabalhar na NASA pareciam traçar o caminho profissional que Ana Mota ia seguir. “Adorava Física Quântica, tudo o que tinha a ver com astros, ir à Lua, a Marte”, recorda com o entusiasmo de quem ainda mantem esse interesse. No entanto, a área estava pouco desenvolvida em Portugal e a procura de estabilidade profissional prevaleceu: Ana acabou por ingressar no curso de Economia na Universidade Nova de Lisboa.

A sua primeira experiência profissional foi no Departamento Financeiro da Santa Casa da Misericórdia, na gestão de ativos. Nessa época, num encontro casual com Luís Portugal, que estava na Direção da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), Ana foi desafiada a integrar a APS enquanto assessora da Direção Administrativa e Financeira ‑ um acaso que acabou por ditar a sua entrada no mundo dos seguros, no qual permanece ao fim de 29 anos com a mesma paixão e entrega. “Comecei a dar apoio às várias comissões técnicas, o que me permitiu ir adquirindo uma visão macro do mercado segurador”, recorda.

Em 1995 surge a oportunidade de integrar a Victoria Seguros, enquanto Diretora Comercial de Corretores – uma experiência que diz ter sido a sua escola nos seguros, com enfoque nos ramos Vida e Saúde. “Na Victoria Seguros adquiri competências técnicas e uma vasta experiência, porque trabalhava com inúmeros corretores e clientes multinacionais. Tive o apoio de grandes mentores, colegas que davam formação on the job como, por exemplo, o José Ribeiro e a Inês Murteira, que ainda hoje são referências no mercado segurador, em seguros de Vida e Saúde, respetivamente”.

“Estava há 12 anos na Victoria Seguros quando um colega da pós-graduação em Seguros e Fundos de Pensões, no Instituto de Formação Actuarial, me falou no projeto da MDS de criação de áreas técnicas de especialidade, algo totalmente disruptivo na corretagem e que, à altura, já revelava a estratégia inovadora da MDS”, afirma. É então que, em 2007, Ana Mota é desafiada por José Manuel Fonseca, CEO do Grupo MDS, a integrar a empresa para assumir a responsabilidade de desenvolvimento da área de Employee Benefits que atualmente assume uma posição de relevo na atividade do grupo.

“O trabalho na corretagem tem sido muito intenso, mas bastante enriquecedor. Há sempre inúmeros desafios e vontade de fazer mais para ir ao encontro das necessidades de cada cliente. Por outro lado, a evolução da sociedade e o aparecimento de novos riscos exigem uma aprendizagem e dedicação constantes”, salienta. Neste contexto, Ana Mota acredita que o corretor assume um papel central “porque tem uma visão global daquilo que o mercado pode oferecer. Há uma grande proximidade com o cliente e um trabalho diário para compreender as suas necessidades. A MDS é muito mais do que um corretor de seguros, é um consultor que ajuda o cliente a encontrar a melhor solução para os seus riscos”.

Uma visão do futuro do setor

Perguntamos a Ana Mota a sua perspectiva sobre a evolução do setor e quais os desafios futuros, nomeadamente na área dos Employee Benefits. Ana refere que o setor tem evoluído, dando como exemplo a área de seguros pessoais: “Os clientes procuram cada vez mais um seguro que cubra as despesas médicas com doenças graves e incapacitantes, têm uma maior percepção da sua importância e por isso são ramos que têm crescido”. Destaca também os riscos decorrentes da crescente internacionalização das empresas: “É cada vez maior a procura por seguros que cubram viagens, expatriados e outras situações fruto da globalização, às quais o mercado tem sabido responder com novas soluções”.

Ana Mota foca ainda os riscos associados à longevidade: “Viver mais tem impacto na sustentabilidade das reformas e há também que pensar como colmatar os riscos da dependência física. Nesta área não tem havido acompanhamento do setor segurador. O desafio é procurar que o setor dê respostas adequadas pois apercebemo‑nos de que há novas necessidades e que as soluções existentes não estão ajustadas”.

Terá o setor segurador capacidade para dar uma resposta alternativa ou ser um complemento à atuação do Estado na área social? “O setor segurador tem um papel essencial que pode ser complementar ou alternativo. Não antevejo que seja possível o modelo alternativo a curto‑médio prazo. Já o modelo complementar, acredito que seja. Hoje em dia já existem soluções complementares à ação do Estado, tais como planos de pensões, PPR ou seguros de saúde. Contudo, para serem eficientes, necessitam de uma regulamentação mais estável do que aquela que existe. Em termos de complementaridade os seguros deveriam ser vistos numa ótica de benefício para a sociedade, o que nem sempre é o caso”, lamenta.

Liderança no feminino

Ana Mota completa este ano uma década de liderança da área de Employee Benefits na MDS. Questionamos qual tem sido a sua estratégia para ter conseguido criar uma equipa de sucesso. “Não herdei uma equipa nem a criei num só momento. Fui construindo‑a à medida que fui aumentando a minha intervenção no negócio. Isso permitiu‑me ir escolhendo quem tinha mais competências, capacidade de desenvolvimento e trabalho em equipa”.

Por outro lado, quais são os desafios e as oportunidades para uma liderança no feminino? “Nunca me senti discriminada positiva ou negativamente por ser mulher. Não sou a favor de quotas. Considero que há áreas em que a intuição, sensibilidade e a própria afetividade que se põe no que se faz poderão ser diferentes pelo facto de se ser mulher, mas a verdade é que nem todas têm estas características. O que está provado é que as mulheres, ao contrário dos homens, têm a capacidade de multitasking. Contudo, creio que as oportunidades devem ser iguais quando as pessoas lutam por elas”.

A influência do desporto na sua vida

Desportista nata, Ana Mota transpõe para a sua vida profissional os ensinamentos que trouxe do desporto – Ana é atleta de ginástica no Sporting Clube de Portugal há mais de 30 anos. “O desporto e, em concreto, a ginástica tiveram um peso determinante na minha forma de estar. A ginástica foi, para além da família, o meu pilar em termos de educação e deu‑me valores que ainda hoje mantenho. Incutiu‑me espírito de sacrifício, pois é preciso muita dedicação e espírito de equipa (sempre fiz ginástica de grupo). Por outro lado, aprendemos a gerir o tempo; nunca deixei de ser boa aluna por praticar desporto”, afirma.

Os seus anos de ginasta levaram Ana a muitos destinos o que fez com que passasse por situações marcantes: “A ginástica proporcionou‑me ótimas experiências em Portugal, mas também a nível internacional, entre as quais destaco a viagem a Macau e à China, em 1984”. Nas suas palavras, a viagem à China foi, naquela altura, um choque de culturas, uma experiência repleta de histórias marcantes da China dos anos 80 que ficará para sempre na sua memória. “Fizemos o caminho de Macau a Cantão num autocarro da II Guerra Mundial, uma viagem de 100 quilómetros que demorou seis horas e durante a qual passámos por aldeias da China profunda. Quando saíamos para ir almoçar olhavam‑nos como se fôssemos aliens, não era comum verem ocidentais. A alimentação também nos trouxe algumas dificuldades. Recordo que numa ocasião ninguém conseguiu comer quando nos serviram um peixe que ainda vinha a saltar; noutra vez serviram‑nos galo que vinha com a crista”.

A ginástica continua a ser um dos seus hobbies, a par das caminhadas ao ar livre, “principalmente nos dias de inverno com sol”, dos livros e das séries de televisão, especialmente de história e de ficção científica (“é o meu interesse pela astronomia que nunca desapareceu”), para além do convívio com a família e os amigos.

Hoje é com orgulho que verifica que o que começou como inesperado se transformou numa vocação, talvez pelo fascínio pelo lado humano dos seguros. “Motiva‑me a vontade de contrariar a imagem que as pessoas têm dos seguros. A nossa atividade nem sempre é bem vista, mas os seguros têm uma importante componente social, porque conseguimos apoiar as pessoas em situações difíceis e fazer a diferença nesse momento”, defende.

Pesquisa mostra que 84% tiveram problemas com plano de saúde

Pesquisa mostra que 84% tiveram problemas com plano de saúde

Pesquisa Datafolha divulgada no começo do mês de outubro revela que 84% das pessoas que utilizaram os serviços dos planos de saúde no estado de São Paulo nos últimos dois anos relatam ter enfrentado algum tipo de problema. Um dos principais é a superlotação dos prontos-socorros, com 73% das queixas e a demora no atendimento.

“O problema é o nosso modelo ‘hospitalocêntrico’, onde o tratamento acontece todo por meio de hospitais. O paciente fica perdido e recorre para o pronto-socorro. A cada ida, ele encontra um médico diferente, que não conhece o seu histórico e isso gera um ciclo vicioso. A fila não aconteceria se tivéssemos um modelo mais estruturado, onde o paciente sabe quem procurar”, explica o médico Gustavo Cruz Quintão, diretor de Benefícios Corporativos da MDS Insure Brasil.

Medicina de Família

Um dos modelos que alguns planos de saúde já estão adotando no Brasil são os médicos de família. Eles separam um profissional especializado, que fica responsável por não só atender uma família quando ela precisa, mas também faz uma prevenção ativa, convidando para os exames periódicos.

Este médico, portanto, faria um acompanhamento de perto dessas pessoas, sabendo o histórico e indicando a um especialista, como um oftalmologista, cardiologista ou fisioterapeuta, quando necessário. O modelo beneficia os consumidores e garante atendimento mais humanizado. Mas também traz vantagens para as operadoras, já que leva ao uso racional de recursos. Pacientes com acompanhamento contínuo de um mesmo médico tendem a ter problemas de saúde resolvidos com mais agilidade e de forma menos onerosa.

Pagamento

No Brasil, o sistema de pagamento nas redes é o fee-for-service. Os prestadores de serviço, clínicas e hospitais, ganham por serviço prestado. Ou seja, quanto mais procedimentos eles realizarem, mais eles recebem. Já para as operadoras de planos de saúde, a lógica é contrária. Segundo dados das operadoras e seguradoras de saúde, 30% dos procedimentos realizados nos hospitais não são realmente necessários.

Dados da pesquisa, que apontam que 68% dos entrevistados têm a impressão de que os planos dificultam a realização de exames de maior custo e 58% têm a percepção de que os planos pagam aos médicos um valor muito baixo pelas consultas e procedimentos realizados.
Para que isso seja melhorado, o doutor Gustavo Quintão, aponta um movimento que já ocorre nos Estados Unidos e adotado por operadoras da América do Norte, em toda a Europa Ocidental, da África (África do Sul), da Ásia e Oceania, mas ainda é tímido no Brasil, o DRG ou Diagnosis Related Groups.

Ele ele agrupa as doenças e procedimentos por similaridade e permite a comparação da performance das equipes. Dessa forma tanto a operadora quanto o hospital podem estruturar um modelo de remuneração em que ambos compartilhem o risco.

“O problema aqui, porque nenhum sistema é perfeito, é que como o hospital ganha a remuneração mesmo se não fizer o procedimento, ele pode não fazê-lo para aumentar sua rentabilidade. A grande mudança, então, é colocar operadoras e prestadores na mesma direção, sem prejudicar o usuário”, afirma Quintão.