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Dia Internacional da Mulher: um marco de conquistas e transformação

Dia Internacional da Mulher: um marco de conquistas e transformação

A maioria das data comemorativas foi criada pelo próprio comércio, no entanto, o Dia Internacional da Mulher — celebrado em 8 de março ―, é uma exceção cheia de significados relacionados à igualdade de gênero.

A data, na verdade, tem origem trabalhista e é resultado de uma série de protestos de operárias que, até então, sentiam na pele a exaustão de extensas jornadas de trabalho regulamentadas por direitos e condições ainda piores que a dos homens da mesma época. No Brasil, o dia 08.03 costuma ser associado a um evento em especial: um incêndio ocorrido em Nova York, no dia 25 de março de 1911, na empresa Triangle Shirtwaist Company. A tragédia levou à morte 146 trabalhadores ― dos quais 125 eram mulheres. O evento acabou por revelar as tristes condições enfrentadas.

Mulheres transformadoras

E essa luta pela igualdade de gênero semeou entre as mulheres uma força motriz transformadora que, até hoje, rende frutos valiosos não só para o universo feminino, mas para a história de toda a humanidade. E por falar em semear, a professora, bióloga e ativista política do meio ambiente Wangari Maathai é um dos nomes que representam muito bem a extensa lista de agentes femininas de mudança ao redor do mundo. Queniana, Wangari fez a diferença ao lutar por suas grandes paixões: a biologia, o meio-ambiente e os direitos das mulheres. Formada e pós-graduada em Biologia em solo estrangeiro, foi, inclusive, a primeira mulher da África Oriental a atingir o nível de Doutorado. E não parou por aí: nos anos 70, ela fundou o Movimento Cinturão Verde ― um programa de plantação de sementes direcionado às mulheres, e integrou o Conselho de Honra do World Future Council. Suas iniciativas resultaram em 47 milhões de árvores plantadas, e lhe renderam o Nobel da  Paz em 2004.

Em terras brasileiras, Enedina Marques e Maria da Penha Fernandes marcaram conquistas singulares por trajetórias distintas: de um lado, estudos, e de outro, luta contra agressões domésticas. Paranaense, nascida em 1913 e filha de mãe humilde e pai ausente, Enedina foi ninguém menos que a primeira mulher negra a se formar engenheira civil no país, e também a primeira em seu estado a obter esse título de graduação. Paralelamente, a farmacêutica Maria da Penha se consagrou líder de movimentos de defesa dos direitos das mulheres por conta do combate aos atentados inferidos pelo seu ex-marido. Um dos episódios sofridos por Maria foi considerado, pela primeira vez na história mundial, um crime de violência doméstica, após chegar à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Em 7 de agosto de 2006, foi sancionada a lei que leva seu nome e funciona como importante ferramenta legislativa no combate a crimes dessa natureza no Brasil.

Por fim, transcendendo a Terra, Valentina Tereshkova brilhou em 1963 ao se tornar a primeira mulher a ir ao espaço em uma missão bem sucedida e circular o planeta 48 vezes. Russa, ex- secretária e filha de pais proletários, Valentina tinha apenas 26 anos quando realizou o feito e, até hoje, ainda é a única  cosmonauta a subir ao espaço sozinha.

Como não atrapalhar a transformação feminina

A história do mundo já é repleta de fatos que depõem a favor da capacidade feminina de transformá-lo, mas, mesmo assim, não são raras as vezes em que atitudes negativas tentam ofuscar as realizações das mulheres.
Que tal conhecer alguns termos que indicam essas atitudes e garantir que elas deixem de ser  praticadas? Confira:

Manterrupting: Neologismo em inglês que se refere à interrupção desnecessária feita por um homem quando uma mulher está falando. O termo surgiu com o artigo “Speaking while Female” (falando enquanto mulher), publicado em 2015 no “The New York Times”, o qual cita um estudo feito por psicólogos de Yale que mostra como senadoras americanas se pronunciam significamente menos que seus colegas masculinos de posições inferiores. Fora isso, a prática foi largamente observada durante o período de debates que antecedeu as eleições presidenciais nos Estados Unidos:  segundo a revista Vice, na ocasião, o candidato republicano Donald trump fez 35 interrupções à sua adversária democrata Hilary Clinton, enquanto ela o interrompeu apenas 4 vezes.

Mansplaining: Uma explicação desnecessariamente detalhada de um assunto óbvio, dada pelo homem por acreditar que a mulher não o  entende. O termo é uma junção de “man” (homem) e “explaining” (explicar) e, segundo a ONG Think Olga, o verdadeiro objetivo dessa prática é desmerecer o conhecimento de uma mulher e atacar sua autoconfiança e segurança em relação ao domínio do tema do qual ela fala.

Gaslighting: a palavra vem do termo inglês gaslight ― uma espécie de lampião de gás conhecido pela luz inconstante que gera. Atribuída por diversas vezes a temperamento ou questões hormonais, a prática faz a mulher duvidar do seu senso, capacidade  intelectual, raciocínio, memórias e sanidade.

Sua  origem provém da peça teatral Gas Light, de 1938,  em que o personagem principal promove manipulações psicológicas contra uma vítima com a finalidade de fazê-la crer que é louca.

Bropropriating: Palavra nascida da soma entre “bro” (de brother, irmão, mano) e “appropriating” (apropriação). Significa apropriar-se da ideia de uma mulher e levar o crédito por ela. Em outra análise, a Think Olga ressalta que esta ação é, provavelmente, a razão pela qual existem tão poucas mulheres nas lideranças das empresas. “Além das supostas desvantagens mercadológicas e o preconceito de gênero, ainda servimos de plataforma para o crescimento de colegas homens, pelo simples fato de sermos menos ouvidas e levadas a sério, declarou a ONG.”

Tire o machismo do vocabulário

Abaixo, há também algumas expressões que, à primeira vista, parecem inofensivas e até divertidas, mas, na prática, indicam preconceitos e machismos velados que  precisam ser extintos. Revisite-as e risque-as do seu dicionário:

  • “Dirigindo desse jeito, só podia ser mulher!”
  • “Mulher tem que se dar ao respeito”
  • “Assim homem nenhum vai te querer”
  • “Ela é mal amada”
  • “Deixa de ser menininha!”
  • “Que nervosinha! Está de TPM?”
  • “Para conseguir isso, ela deve estar tendo um caso com ele.”

 

Fontes:

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/09/28/%E2%80%98Manterrupting%E2%80%99-a-pr%C3%A1tica-sexista-de-interromper-uma-mulher-quando-ela-est%C3%A1-falando

http://movimentomulher360.com.br/2016/11/mm360-explica-os-termos-gaslighting-mansplaining-bropriating-e-manterrupting/

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/mulheres-que-mudaram-a-historia-valentina-tereshkova/

http://www.palmares.gov.br/?p=44290

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/26/politica/1519672164_945082.html

https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2018/03/14/12-comentarios-rotineiros-que-reforcam-o-machismo-no-dia-a-dia.htm