10 Porto Icons

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Eugenio
de Andrade

Um dos nomes maiores da cultura portuguesa do século XX não nasceu no Porto mas é, de um modo incontornável, um dos seus grandes poetas. Eugénio de Andrade (1923‑2005) veio viver para a cidade em 1950 e de imediato se apaixonou de tal forma por esta terra –

“ (…) a pequena praça onde há tantos anos aprendo metodicamente a ser árvore (…) ” – que aqui passaria o resto da sua vida. Aos ambientes e paisagens do burgo, às suas gentes, à sua identidade e aos amigos que aqui fez, o poeta dedicaria muitas das páginas e versos que escreveu. À cidade legou igualmente, organizado por si, aquele que é um dos mais belos livros sobre o Porto: “Daqui houve nome Portugal”.

Porto
A cidade da MDS

Nascido na Idade do Bronze, há mais de 2500 anos, num morro estratégico debruçado sobre o estuário de um dos grandes rios da Península Ibérica, o Porto jamais deixou de sublinhar a sua vocação primordial, mercantil e portuária, perpetuada no seu próprio nome. Cidade de dimensão assinalável durante o Domínio Romano (altura em que terá sido batizada como “portus”), o burgo conhecerá novos e importantes desenvolvimentos urbanos no final da Idade Média, quando a dinâmica e o pioneirismo dos seus mercadores serão cruciais para o espoletar do processo de expansão marítima que os portugueses desenvolverão a partir do século XV. As características empreendedoras e inconformadas das suas gentes marcarão sempre o espírito e a identidade da cidade que, já no século XIX, foi fundamental para a implantação do Liberalismo, para um novo arranque comercial e industrial e, posteriormente, para o triunfo do regime Republicano. O velho morro da Penaventosa, coroado pela medieva catedral, de tudo isto foi testemunha e está desde 1996 classificado pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Casa da Música ©Matilde Ramos

Casa da
Música

Um dos elementos mais icónicos do Porto são os carros‑elétricos, que circulam na cidade desde 1895. Durante décadas a principal oficina e espaço de recolha deste transporte público localizava‑se na rotunda da Boavista. No seu lugar nasceu, já no início do século XXI, uma outra construção que, rapidamente, se converteu também num dos mais emblemáticos edifícios do Porto: a Casa da Música. Inaugurada em 2005, com um concerto de Lou Reed, esta estrutura foi concebida pelo arquiteto holandês Rem Koolhaas, tendo a sua construção apresentado diversos e novos desafios para a engenharia. O “New York Times” considerou a Casa da Música como “uma das mais importantes salas de espetáculos construída nos últimos cem anos”. A título de coincidência, o Diretor da FULLCOVER, José Manuel Fonseca, presidiu à Casa da Música desde a sua fundação até 2014.

Festas de São João

Embora “Nossa Senhora da Vandoma”, cuja imagem medieval se pode contemplar no interior da catedral, seja a padroeira da cidade, o santo mais popular do Porto é S. João Baptista, celebrado a 24 de junho. As festividades consagradas ao santo estavam já profundamente enraizadas no Porto no século XIV, como descreve nas suas crónicas Fernão Lopes, evidenciando as milenares raízes, profundamente pagãs, destas celebrações que se alicerçam no solstício do verão. A festa de S. João, com centenas de milhares de pessoas pelas ruas, misturando gastronomia tradicional com música, dança, saltos de fogueiras, espetáculos pirotécnicos, rusgas, e “troca de odores” entre portadores de alhos‑porros, ervas de cheiro e manjericos, atrai hoje multidões ao Porto e foi classificada pela revista norte‑americana “National Geographic” como um dos acontecimentos mundiais do mês de junho a não perder.

Belmiro
de Azevedo

Nascido em Marco de Canaveses, próximo do Porto, em 1938, Belmiro de Azevedo é um dos mais destacados empresários portugueses de todos os tempos. Formado em Engenharia Química, em 1974 assume o controlo da empresa SONAE e, no ano seguinte, especializa‑se em Gestão de Empresas na Universidade de Harvard. As suas raras capacidades de empreendedor, a sua visão pioneira e a cultura que implementou no grupo transformaram a SONAE, a partir do Porto, numa das mais dinâmicas empresas do país, com uma forte aposta nos hipermercados e no retalho especializado, na comunicação e nas telecomunicações, numa estratégia que passou também pela internacionalização. É uma das personalidades mais respeitadas de Portugal, por todos reconhecido pela ousadia e espírito empreendedor, uma inabalável verticalidade, inconformismo e intransigente defesa dos seus valores, presentes de forma muito forte no grupo que criou. Esteve também ligado a várias organizações internacionais e foi agraciado pelo seu trabalho em vários países, entre eles Espanha e Brasil.

Ângelo Paupério, Paulo Azevedo e Belmiro de Azevedo. ©Pedro Granadeiro

 

 

Vinho do Porto

É um segredo… conhecido desde a Idade Média. Mas só a partir do século XVII, graças aos comerciantes ingleses, se tornou mundialmente famoso. Um segredo impossível de copiar noutro recanto do planeta. Produzido a mais de 200 quilómetros de distância, a partir dos vinhedos do alcantilado vale do Douro – a mais antiga região vinícola demarcada e regulamentada do mundo ‑ transportado e envelhecido no estuário do grande rio, nas caves voltadas para a área da cidade classificada pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, o Vinho do Porto junta de um modo quase miraculoso o melhor de dois mundos: um néctar muito doce e, simultaneamente, de elevado teor alcoólico. E está na origem de algumas das melhores produções vinícolas de sempre, de que são exemplo as garrafas da Taylor’s e Fonseca da colheita de 1994 que receberam 100 pontos da “Wine Spectator” em 1997.

Eduardo
Souto Moura

Em 2011, e pela segunda vez na História, aquele que é considerado o Nobel da arquitetura ‑ o prémio Pritzker – foi entregue por um presidente norte‑americano. O escolhido, descrito por Barack Obama como alguém que “nunca se satisfaz com soluções fáceis”, foi um arquiteto portuense nascido na cidade em 1952: Eduardo de Souto Moura. Autor de projetos por todo o mundo e de obras tão representativas como o Estádio Municipal de Braga ou a Casa das Histórias de Paula Rego, Souto Moura foi responsável, no Porto, pela regeneração de edifícios emblemáticos e históricos como o da Cadeia da Relação e o da Alfândega Nova. É também o autor dos projetos de arquitetura das premiadas estações do metro na cidade.

Manoel de Oliveira

Quando faleceu em 2015 o país com dificuldade acreditou na notícia. Manoel de Oliveira, nascido no Porto em 1908, contava já 106 anos, mas para os portugueses ele transformara‑se numa figura imortal, ainda em vida. O cineasta foi/é o mais velho realizador de sempre e o de mais longa carreira na história do cinema. Começou como figurante na empresa “Invicta Filmes”, pioneira do cinema‑mudo português. O primeiro filme que realizou – “Douro, Faina Fluvial” (1931) – foi ainda mudo. Cruzou depois toda a história do cinema analógico do século XX, realizando obras incontornáveis como “Aniki‑Bóbó” (1942), “Amor de perdição” (1979), “Francisca” (1981) ou “Vale Abraão” (1993), tendo produzido as suas últimas obras já em formato digital. Realizou 32 longas‑metragens e o seu último filme data de 2014. Premiado, entre outros, com o Leão de Ouro do Festival de Veneza, Manoel de Oliveira dirigiu atores consagrados internacionalmente como Marcelo Mastroianni, John Malkovich ou Catherine Deneuve.

Casa de Chá
da Boa Nova

Edificada entre 1958 e 1963 a apenas dois metros de altura do oceano e numa das zonas mais rochosas da frente atlântica do Grande Porto, a Casa de Chá da Boa Nova é uma das mais conhecidas obras‑primas da arquitetura portuguesa, projetada por aquele que é também o seu maior arquiteto: Álvaro Siza Vieira. Às suas singulares características arquitetónicas, o imóvel junta uma outra valência que lhe confere reconhecimento internacional: a gastronomia e a restauração de excelência, sublinhada muito recentemente (2016) pela atribuição de uma estrela Michelin ao seu restaurante dirigido pelo Chef Rui Paula.

Casa de Chá da Boa Nova. ©Nelson Garrido

Álvaro Siza

Em 2005 a Câmara Municipal do Porto atribuiu as chaves da cidade àquele que é um dos mais premiados arquitetos vivos: Álvaro Siza. Nascido em 1933, na vizinha e costeira povoação de Matosinhos, a linear e despojada paisagem marítima marcou de um modo indelével o espírito do criador que não renega as influências de Adolf Loos, Alvar Aalto e Frank Lloyd Wright. Siza de algum modo sintetizou esses incontornáveis mestres do século XX numa linguagem e estética muito próprias que, desde os anos 60, se vêm alicerçando como uma referência mundial, reconhecida em 1992 com a atribuição do prémio Pritzker ou, em 2009, da Royal Gold Medal pela rainha Elizabeth II.

Arquiteto Álvaro Siza. ©Arquivo Siza Vieira